Mostra John Waters – O Papa do Trash no RJ

31jan12

 

A mostra JOHN WATERS – O PAPA DO TRASH irá homenagear esse polêmico, controverso e admirado realizador. Durante 15 dias, serão apresentados todos os filmes de Waters, os estrelados pelo travesti Divine, as obras que chegaram ao grande público como Hairspray e Cry-Baby. A mostra não será feita só com as realizações de John Waters. A programação contará com uma variedade de documentários, que contam com a participação do cineasta de Baltimore. Filmes que desvendam o cinema underground, a produção independente, o olhar gay, o cinema trash. Ambientes bem característicos da filmografia de Waters. Um mesa de debate será realizada para discutir esse cinema tão marcante e que até hoje influencia realizadores em todo o mundo. Um catálogo irá reunir textos sobre os filmes e persona de John Waters.

John Waters é considerado um dos precursores do cinema underground (filme que está fora do mainstream, quer no seu estilo, gênero ou financiamento), da contracultura. A estética camp (sensibilidade estética em que algo é atraente devido ao seu mau gosto e de valor irônico) e o trash (filmes de baixo custo, ou que aparentam ser, usando de equipe ou material baratos) também fazem parte de seu cinema. Uma combinação inusitada. Fica até difícil definir em que gênero está a sua obra. Um predicado é certo, a classe média norte-americana nunca foi retratada de forma tão chasqueada como em seus filmes.

 

 

Depois de romper barreiras, Waters iniciou uma fase com histórias um pouco mais convencionais, mas mesmo assim, apresentando os excluídos e os maltratados. Aqueles com comportamentos considerados desviantes pela sociedade. Ao mesmo tempo, Waters deu voz aos outsiders e a todos os grupos sexuais que estavam à margem da sociedade. Basta refletir sobre seu ator assinatura e protagonista em seus filmes: um travesti obeso chamado Divine (“divino” na tradução literal). Até mesmo a aparência de Waters, com aquele bigodinho fininho, é uma cutucada no estilo utilizado pelos galãs da era de ouro de Hollywood. Apesar dele afirmar que é uma homenagem ao cantor Little Richard.

Atualmente, mesmo com as transformações sociais, os filmes de Waters continuam chocando de alguma forma. Impressiona o fato de seus longas mais polêmicos terem sido lançados no final dos anos 60 e no início dos 70. Cineastas como Jim Jarmusch, Hal Hartley, Pedro Almodóvar, David O. Russell, entre outros, já declararam o quanto importante é a filmografia de Waters e como ela influenciou em seus projetos. De como descobriram que existia outras maneiras de se fazer cinema. Assistir aos filmes de John Waters, como também suas outras formas de expressão cultural, é uma maneira de entender um dos capítulos mais interessantes da história da sétima arte.

A mostra JOHN WATERS – O PAPA DO TRASH irá reunir todos os longas realizados por ele, além de documentários, remakes, filmes da musa Divine e uma série para televisão inédita no Brasil.

 

 

CLIQUE NA DIVINE PARA ACESSAR O SITE DA MOSTRA E VER A PROGRAMAÇÃO



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